O vestibular e a produção de texto.

É devido à grande importância da escrita e o grande espaço que ela oferece ao aluno que os exames vestibulares valorizam tanto a redação.

A sociedade, em seus diversos campos profissionais, requer competência e eficiência para produzir textos escritos. Há casos em que a produção textual é constantemente requerida pela profissão como é o caso dos jornalistas, editores, revisores, magistrados.

A produção de textos escritos não só facilitam a vida de muitos profissionais como também a vida diária, servindo para nos orientar em nossas atividades, em nossas reflexões. Para isso devemos aprender a obter informações, processá-las criticamente e reelaborá-las em textos que poderão influir na realidade.

Os exames de vestibular valorizam muito a produção textual, tendo como finalidade avaliar o conhecimento do aluno acerca do assunto em pauta, a organização de suas idéias, suas habilidades lingüísticas, vocabulário, argumentação, o domínio dos recursos específicos da modalidade escrita, não esquecendo que em seu interior devem existir elementos que estabeleçam ligação entre as partes, elos significativos que confiram coesão ao discurso

É bom estar atento aos acontecimentos mundiais, assim, seja qual for o tema, o aluno não se surpreenderá e terá êxito em sua argumentação e fundamentação. É nesse momento que o aluno poderá demonstrar o domínio da escrita. Para que seu texto seja bem-sucedido.



 

Crase


A crase indica a fusão da preposição a com artigo a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade natal. / Os documentos foram apresentados às (a prep. + as art.) autoridades. Dessa forma, não existe crase antes de palavra masculina: Vou a pé. / Andou a cavalo. Existe uma única exceção, explicada mais adiante.

Regras práticas

Primeira - Substitua a palavra antes da qual aparece o a ou as por um termo masculino. Se o a ou as se transformar em ao ou aos, existe crase; do contrário, não. Nos exemplos já citados: João voltou ao país natal. / Os documentos foram apresentados aos juizes. Outros exemplos: Atentas às modificações, as moças... (Atentos aos processos, os moços...) / Junto à parede (junto ao muro). No caso de nome geográfico ou de lugar, substitua o a ou as por para. Se o certo for para a, use a crase: Foi à França (foi para a França). / Irão à Colômbia (irão para a Colômbia). / Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba), sem crase). Pode-se igualmente usar a forma voltar de: se o de se transformar em da, há crase, inexistente se o de não se alterar: Retornou à Argentina (voltou da Argentina). Foi a Roma (voltou de Roma).

Segunda - A combinação de outras preposições com a (para a, na, da, pela e com a, principalmente) indica se o a ou as deve levar crase. Não é necessário que a frase alternativa tenha o mesmo sentido da original nem que a regência seja correta. Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a amiga). / Chegou à Espanha (da Espanha). / As visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava às portas da morte (nas portas). / À saída (na saída). / À falta de (na falta de, com a falta de).
Usa-se a crase ainda:

1 - Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo, àqueloutro (e derivados): Cheguei àquele (a + aquele) lugar. / Vou àquelas cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu importância àquilo.

2 - Nas indicações de horas, desde que determinadas: Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora. Zero e meia incluem-se na regra: O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à meia-noite em ponto. A indeterminação afasta a crase: Irá a uma hora qualquer.

3 - Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à moda de, à procura de, à mercê de, à custa de, à medida que, à proporção que, à força de, à espera de: Saiu às pressas. / Vive à custa do pai. / Estava à espera do irmão. / Sua tristeza aumentava à medida que os amigos partiam. / Serviu o filé à moda da casa.

4 - Nas locuções que indicam meio ou instrumento e em outras nas quais a tradição lingüística o exija, como à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada, à baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar à fome): Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta, à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto à venda. / Andava à toa. Observação: Neste caso não se pode usar a regra prática de substituir a por ao.

5 - Antes dos relativos que, qual e quais, quando o a ou as puderem ser substituídos por ao ou aos: Eis a moça à qual você se referiu (equivalente: eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão às pesquisas às quais nos dedicamos (fez alusão aos trabalhos aos quais...). / É uma situação semelhante à que enfrentamos ontem (é um problema semelhante ao que...).


Não se usa a crase antes de:

1 - Palavra masculina: andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a esmo, cheirar a suor, viajar a cavalo, vestir-se a caráter. Exceção. Existe a crase quando se pode subentender uma palavra feminina, especialmente moda e maneira, ou qualquer outra que determine um nome de empresa ou coisa: Salto à Luís XV (à moda de Luís XV). / Estilo à Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se à Apollo (à nave Apollo). / Dirigiu-se à (fragata) Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramentos. / Fez alusão à (revista) Projeto.

2 - Nome de cidade: Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano. Exceção. Há crase quando se atribui uma qualidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. / Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das mordomias, à Londres do século 19.

3 - Verbo: Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a falar.

4 - Substantivos repetidos: Cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta a ponta.

5 - Ela, esta e essa: Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta conclusão. / Dedicou o livro a essa moça.

6 - Outros pronomes que não admitem artigo, como ninguém, alguém, toda, cada, tudo, você, alguma, qual, etc.

7 - Formas de tratamento: Escreverei a Vossa Excelência. / Recomendamos a Vossa Senhoria... / Pediram a Vossa Majestade...

8 - Uma: Foi a uma festa. Exceções. Na locução à uma (ao mesmo tempo) e no caso em que uma designa hora (Sairá à uma hora).

9 - Palavra feminina tomada em sentido genérico: Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito a morte em família, faltou ao serviço. Repare: Em respeito a falecimento, e não ao falecimento. / Não me refiro a mulheres, mas a meninas.

Alguns casos são fáceis de identificar: se couber o indefinido uma antes da palavra feminina, não existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma) advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma) ofensa de candidato em Guarulhos. / As reportagens não estão necessariamente ligadas a (uma) agenda. / Fraude leva a (uma) sonegação recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha no sistema de refrigeração. / Partido se rende a (uma) política de alianças.

Havendo determinação, porém, a crase é indispensável: Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de médico. / Superintendente admite ter cedido à pressão (ao desejo) dos superiores.

10 - Substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo: Pegaram-se a dentadas. / Agrediram-se a bofetadas. / Progrediram a duras penas.

11 - Nomes de mulheres célebres: Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Bergman a Greta Garbo.

12 - Dona e madame: Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou a madame Angélica. Exceção: Há crase se o dona ou o madame estiverem particularizados: Referia-se à Dona Flor dos dois maridos.

13 - Numerais considerados de forma indeterminada: O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a 8 de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.

14 - Distância, desde que não determinada: A polícia ficou a distância. / O navio estava a distância. Quando se define a distância, existe crase: O navio estava à distância de 500 metros do cais. / A polícia ficou à distância de seis metros dos manifestantes.

15 - Terra, quando a palavra significa terra firme: O navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi a terra. (Não há artigo com outras preposições: Viajou por terra. / Esteve em terra.) Nos demais significados da palavra, usa-se a crase: Voltou à terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.

16 - Casa, considerada como o lugar onde se mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio de casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a palavra estiver determinada, existe crase: Voltou à casa dos pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez uma visita à Casa Branca.

Uso facultativo

1 - Antes do possessivo: Levou a encomenda a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa empresa (ou à nossa empresa). Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a este tipo de oração.

2 - Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for íntima de quem fala, usa-se a crase; caso contrário, não.

3 - Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até a, sem crase.

DISTÂNCIA
Desde que não se determine qual é, não tem crase: "A polícia ficou a distância", "O navio estava a distância". Quando se define a distância, entra a crase: "O navio estava à distância de 500 metros do cais."

TERRA
Quando a palavra significa terra firme não há crase: "O navio estava chegando a terra firme", "O marinheiro foi a terra". Nos demais casos, usa-se à crase: "Ele estava chegando à terra natal".

CASA
Quando é considerada como lugar onde se mora, não tem crase: "Voltou a casa", "Chegou cedo a casa". Nos demais casos, há crase: "Ele voltou à casa dos pais", "Kennedy fez uma visita à Casa Branca".

 



 

A Argumentação

A argumentação é um recurso que tem como propósito convencer alguém, para que esse tenha a opinião ou o comportamento alterado.
Sempre que argumentamos, temos o intuito de convencer alguém a pensar como nós.
No momento da construção textual, os argumentos são essenciais, esses serão as provas que apresentaremos, com o propósito de defender nossa idéia e convencer o leitor de que essa é a correta.

Há diferentes tipos de argumentos, a escolha certa consolida o texto.

Argumentação por citação

Sempre que queremos defender uma idéia, procuramos pessoa ‘consagradas’, que pensam como nós acerca do tema em evidência.
Apresentamos
no corpo de nosso texto a menção de uma informação extraída de outra fonte.

A citação pode ser apresentada assim:

Assim parece ser porque, para Piaget, “toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras” (Piaget, 1994, p.11). A essência da moral é o respeito às regras. A capacidade intelectual de compreender que a regra expressa uma racionalidade em si mesma equilibrada.

O trecho citado deve estar de acordo com as idéias do texto, assim tal estratégia poderá funcionar bem.

Argumentação por comprovação

A sustentação da argumentação se dará a partir das informações apresentadas (dados, estatísticas, percentuais) que o acompanham.
Esse recurso é explorado quando o objetivo é contestar um ponto de vista equivocado.

Veja:

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, lança hoje o Mapa da Exclusão Educacional. O estudo do Inep, feito a partir de dados do IBGE e do Censo Educacional do Ministério da Educação, mostra o número de crianças de sete a catorze anos que estão fora das escolas em cada Estado.
Segundo
o mapa, no Brasil, 1,4 milhão de crianças, ou 5,5 % da população nessa faixa etária (sete a catorze anos), para a qual o ensino é obrigatório, não freqüentam as salas de aula.
O pior índice é do Amazonas: 16,8% das crianças do estado, ou 92,8 mil, estão fora da escola. O melhor, o Distrito Federal, com apenas 2,3% (7 200) de crianças excluídas, seguido por Rio Grande do Sul, com 2,7% (39 mil) e São Paulo, com 3,2% (168,7 mil).

                                 (Mônica Bergamo. Folha de S. Paulo, 3.12.2003)

Nesse tipo de citação o autor precisa de dados que demonstre sua tese.

Argumentação por raciocínio lógico

A criação de relações de causa e efeito é um recurso utilizado para demonstrar que uma conclusão (afirmada no texto) é necessária, e não fruto de uma interpretação pessoal que pode ser contestada.


Para a construção de um bom texto argumentativo se faz necessário o conhecimento sobre a questão proposta, fundamentação para serem realizados com sucesso.

 



 

Normas gerais

ADMINISTRAÇÃO
Esta palavra nunca é nome próprio. Portanto, a gente só se refere à administração de fulano, sicrano ou beltrano, colocando o termo em letras minúsculas.

AMBIGÜIDADE
Tente ao máximo não usar textos ou formas ambíguas. Isso é um defeito grave, pois induz o leitor ao erro. Ambigüidades ocorrem quando: há ausência de vírgulas, o adjunto adverbial foi colocado no lugar errado, há sucessão inadequada de termos, o 'que' foi colocado em outra posição que não logo depois do nome que substitui e, finalmente, quando se abusa da preposição 'de'. Ambíguo quer dizer, literalmente, "que se pode tomar em mais de um sentido". Alguns exemplos: "Gols de bandeja" (o jornal queria se referir a um torneio de futebol disputado por garçons), "Hoje é proibido ficar doente" (a notícia falava de greve em hospitais), "Cachorro faz mal à moça" (a personagem teve indigestão ao comer um cachorro quente com salsicha estragada), "Comeu a mãe e foi parar no hospital" (um menino colocou na boca um animal de nome 'mãe d'água', que provoca queimaduras graves se ingerido), "Vendem-se cobertores para casal de lã (ambigüidade provocada por troca da ordem das palavras), "Estamos liquidando pijamas para homens brancos" (má disposição das palavras na frase), "A ordem do ministro que vai de Brasília..." (ambigüidade do pronome relativo 'que'), "Subindo a serra, avistei vários animais" (ambigüidade provocada pelo gerúndio. Quem subia a serra?), "Eu noivaria com você, Verinha, se tivesse um pouco de dinheiro" (ambigüidade ocasionada por omissão de termos; eu ou você?), "Ele pensava no antigo amor e julgava que a sua agressividade teria contribuído para o término do romance" (ambigüidade ocasionada pelo emprego de um pronome que é válido tanto para 'ele' como para 'ela'; dele ou dela?)

APÓSTROFO
Sinal que indica supressão de letras e seu uso é restrito a poucos casos. 1 - supressão de letra em versos por exigência de métrica: co'este, esp'rança, etc. 2 - pronúncias populares: tá, teve aqui, etc. 3 - apócope da vogal e, em palavras compostas ligadas de preposição: estrela-d'alva, olho-d'água, pau-d'arco, mãe-d'água e poucas mais.
Não se usa apóstrofo em combinações pronominais, combinações das preposições, formas aglutinadas e antes de maiúsculas. Neste último caso, para não prejudicar títulos: "O jornalista dA Gazeta é Pedro."

ASPAS
Estes sinais, também chamados de vírgulas-dobradas, têm alguns empregos específicos. 1 - assinalam as transcrições textuais: Caxias disse: "Sigam-me os que forem brasileiros!" 2 - realçam os nomes das obras de arte ou de publicações, sejam elas livros, revistas ou outras. No caso de jornais, usamos o itálico: A notícia do escândalo foi publicada por "O Globo", do Rio de Janeiro. 3 - caracterizam nomes, títulos honoríficos, apelidos e outros: Eles passaram as férias no navio de turismo "Princesa Isabel". 4 - marcam as expressões, palavras, vocábulos, letras, etc., exemplificadas no contexto de uma frase: Encerrou as despedidas com um "até breve" cheio de esperanças. 5 - separam os chamados estrangeirismos, neologismos ou quaisquer palavras que soem estranhas ao contexto: O ideal é substituir o "petit pois" pelo brasileiríssimo ervilha.

CARGOS
Escreva sempre em letras minúsculas: presidente, secretário, ministro, diretor, prefeito, professor, vereador, etc. Mas tome cuidado com isso, pois às vezes as regras da língua portuguesa consagram algumas formas como nomes próprios. Em caso de dúvida, consulte sempre o dicionário. Ou então o manual de normas de redação da Folha de S. Paulo, e trata muito bem da questão.

DATAS E ENDEREÇOS
Usamos sempre os dois recursos em nossos textos, para ajudar o leitor que lê o Vitória On Line, o Diário de Vitória ou nossos impressos destinados à imprensa. Tanto datas (terça-feira (15)) quanto endereços corretos e completos de locais de solenidades, intervenções da Prefeitura, etc., têm que ser citados obrigatoriamente. Somos prestadores de serviços.

DECLARAÇÃO TEXTUAL
Há um velho princípio jornalístico que diz o seguinte: quanto menos se usa esse tipo de recurso, mais valor ele tem. Portanto, declarações textuais devem ser usadas quando o que a pessoa diz tem muito impacto. Evidentemente, em casos de transcrição de documentos, discursos, etc., o princípio não se aplica.

DINHEIRO
Sempre que a gente fala de moeda estrangeira, é preciso converter o valor para o Real pela cotação do dia. No caso do dólar é mais fácil. Nos casos das demais moedas é mais difícil, mas os sites de jornais e bancos nos informam com precisão. Basta escrever, por exemplo: "A venda foi feita por US$ 200 mil (R$ 397 mil)."

DIVISÃO SILÁBICA
Para escansão silábica ou no fim da linha, deve ser feita pelas sílabas pronunciadas, e não por elementos morfológicos. Por princípio geral, separam-se as letras pelas síladas e nunca partindo o que se pronuncia no mesmo impulso da voz. Como normas particulares, a língua portuguesa registra as seguintes: 1) nunca se partem ditongos nem tritongos: flui-do, herói-co, sa-guôes. 2) encontros de duas consoantes que não sejam iniciais ou isoladas: as-sar, con-vic-ção, ter-ra. 3) encontros de mais de duas consoantes são partidos antes da última ou antes de encontro consonantal perfeito: ist-mo, cir-cuns-cre-ver, com-prar. 4) consoantes iniciais e isoladas, encontros consonantais iniciais e perfeitos terminados em i ou r, ch, ih, nh, gu, qu, formam sílaba com a vogal seguinte: ba-se, a-guar-dar, cin-qüen-ta. As exceções são bl, br, dl. Como orientações finais, nunca parta o vocábulo de tal forma que no final ou no início da linha apareça uma palavra obscena ou ridícula e, caso coincida um hífen com a repartição da palavra, não será preciso repetir aquele que sai no início da linha seguinte.

DOIS PONTOS
Usam-se dois pontos em cinco hipóteses: antes de citação, de enumeração, de explicação, de complementação e de conclusão. Antes de citação a pontuação vem seguida de letra maiúscula. Em todas as outras quatro hipóteses, o que a segue é letra minúscula. Exemplos:
Antes de citação: "E o homem disse:
- Não atire, por favor!"
Antes de enumeração: "Comprou diversas bebidas no supermercado:
Uísque, licor, cerveja e até refrigerante."
Antes de explicação: "Fiquei feliz quando a vi: sabia que ela ia se recuperar."
Antes de complementação: "O fígado só tem uma ideologia: cuidado com as imitações." (esta é de Luís Fernando Veríssimo.
Antes de conclusão: "O lugar é lindo e as praias, paradisíacas: vamos de qualquer maneira."

DOUTOR
Desnecessário dizer que jornalisticamente usa-se sempre a profissão da pessoa. "O gastroenterologista Fulano de Tal vai dirigir o programa da Semus...", e vai por aí. Pode-se fazer citação deste termo apenas quando for necessário dizer que uma determinada pessoa fez doutorado. O mesmo princípio aplica-se a "mestre" e "mestrado".

ECOLOGIA
Como usamos muito este termo, aqui vai um recado: ninguém comete crime contra a ecologia, mas apenas contra o ambiente, a natureza, etc. Ecologia estuda a relação homem-ambiente. Já o ambientalismo é um movimento.

ESTE, ESSE, AQUELE
Este é algo que está próximo, ao nosso lado. "Este lápis é meu", você diria, segurando seu próprio lápis. Esse está ao largo da pessoa, não perto mas não muito longe. "Esse lápis é seu?", você perguntaria à pessoa da mesa ao lado. Aquele está longe: "Aquele lápis é de alguém aqui?", qualquer um de nós perguntaria, apontando o final da sala. Esta mesma regra serve para "neste", "nesse" e "naquele".

ETC.
Este termo, etecétera, quer dizer "e mais outros". Deve ser usado homeopaticamente e jamais em títulos.

FALA DO ENTREVISTADO
Para abrir aspas e deixar o entrevistado falar, é preciso tomar cuidado com o verbo ou outro termo a ser usado. Os que normalmente antecedem as vírgulas são estes:
DIZ - Pode ser usado em quaisquer circunstâncias;
AFIRMA - Igualmente. Só que, para este, recomenda-se utilização quando a afirmação for enfática: '"Não sou corrupto", afirmou o prefeito Celso Pitta';
CONTA - Significa o mesmo que "relata". Pode ser usado em quaisquer circunstâncias, principalmente quando se trata de relato de algum fato que a fonte esteja fazendo ao jornalista;
RELATA - Acima. O mesmo que "conta";
REVELA - Só quando a pessoa estiver dizendo uma coisa que ninguém ainda sabia;
CONFIDENCIA - Deve ser evitado ao máximo, porque se assim fosse não estaria no jornal. Pode-se usar apenas da seguinte forma: "Segundo Paulo Maluf confidenciou a Celso Pitta, era preciso ter jogado fora os computadores da prefeitura.";
INFORMA - Deve ser usado quando a pessoa estiver tornando pública uma informação ainda não conhecida e referente a um fato de interesse público;
EXPLICA - Só quando o entrevistado estiver explicando dados relacionados com alguma coisa;
ESCLARECE - Fica nas proximidades do "informa", com a diferença de que só deve ser usado quando houver alguma dúvida relacionada a algo;
ENFATIZA - Usa-se quando alguém destaca um ou mais pontos ligados a uma informação, destacando-os;
DESTACA - O mesmo que o anterior:
LEMBRA - Melhor usar quando o entrevistado estiver falando de fato ocorrido há muito tempo;
RESSALTA - Este, é melhor usar este verbo quando o entrevistado estiver destacando algum fato, ponto ou detalhe do todo;
AVALIA - No caso deste verbo, usa-se corretamente quando o entrevistado estiver fazendo algum julgamento, sobretudo juízo de valor;
SEGUNDO FULANO - Recurso que torna o uso livre;
SEGUNDO INFORMA FULANO - O mesmo que o anterior. O melhor é desprezar o 'informa', pois há restrições a seu uso";
DE ACORDO COM - Também de uso livre.

FOLCLORE
A gente jamais usa com sentido de ridículo. No nosso caso, folclore é tudo o que faz parte da cultura popular de nossa cidade, do Espírito Santo, do Brasil. Ou que tenha relação com o conceito.

FRASE/ORAÇÃO/PERÍODO/PARÁGRAFO
Como a gente erra muito nas construções de textos, vamos transcrever o que o manual da Folha fala sobre isso. É o melhor manual para explicar o item: "Frase designa qualquer enunciado capaz de comunicar alguma coisa a alguém. Pode ser desde uma simples palavra ('Obrigado!') ao mais complexo período proustiano. Quando a frase afirma ou nega alguma coisa, ou seja, quando apresenta estrutura sintática, pode ser chamada de oração: 'Deus é luz.' Toda oração tem verbo ou locução verbal, mesmo que às vezes um deles não esteja expresso. Período é o nome que se dá a frases constituídas de uma ou mais orações. É simples (uma única oração) ou composto (com mais de uma oração): 'Padre Teófilo disse que Deus é luz.' Em textos noticiosos, evite períodos muito longos." Portanto, basta seguir a receita que dá tudo certo. Ela mostra de forma clara como se dá o encadeamento das palavras que acabam formando o que a gente escreve. Já o parágrafo deve conter pensamento completo. Uma idéia pronta e acabada. Ele se liga a um outro, com outra idéia ou pensamento, e assim por diante. Um texto completo é uma série de elos, como os de uma corrente. De parágrafos que se ligam.

GÍRIA
Evite-a ao máximo. Ela banaliza e pode até confundir o texto. Normalmente, usam-se gírias somente em transcrições de declarações de terceiros. Mesmo assim, é sempre bom usar o bom senso.

GOLEADOR
Esta é para quem escreve sobre esporte: não se deve usar este termo para quem marca apenas um gol numa partida. De dois para cima, tudo bem. E quem faz mais gols em um campeonato deve ser chamado de 'artilheiro'.

GORDO
Evite. Quando for absolutamente necessário dar esta informação, ou use o peso exato da pessoa ou o termo 'obeso'.

GOVERNO
Escreva sempre com minúsculas: governo federal, governo estadual, etc.

HORÁRIO
Vamos uniformizar nosso texto. O dia começa à 0 hora e termina às 24 horas. A madrugada vai de 0 hora às 6 horas; a manhã, das 6 horas às 12 horas (também podemos dizer meio-dia); a tarde, das 12 horas às 18 horas; a noite, das 18 horas às 24 horas. Em horas quebradas, a gente usa 12h45 ou então 15h24, e daí por diante. Tempos marcados são indicados assim: 2h10min36s356. Conferências e congêneres duram sempre "quatro horas e 35 minutos". Finalmente, quando houver diferença de fuso horário, diga "às 21 horas de Paris (16 horas de Brasília)".

IDADE
Quando for necessário informar, escreva; "Maria do Socorro, de14 anos, esteve ontem..." Quando isso constranger a pessoa, evite. Pessoas idosas, sobretudo mulheres, às vezes não gostam de revelar suas idades.

IDENTIFICAÇÃO
Pessoas devem ser identificadas pelo cargo, função, condição ou profissão. Quando se tratar de servidor municipal, primeiramente pelo cargo. Aliás, citar o cargo da pessoa é indispensável. E sempre que possível esse cargo deve anteceder o nome, até porque as pessoas costumam ser notícia em função de suas atividades. Exemplo: "O prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, esteve ontem..."

IMPRENSA
Imprensa é meio de comunicação escrita. Portanto, usa-se para designar jornal, revista e outros impressos. Não existe "imprensa escrita" porque é pleonasmo. Nem "imprensa falada" porque é errado. Quando a designação abranger a todos, devemos dizer "meios de comunicação".

INICIAIS
O ideal é evitar abreviar nomes próprios. Quando não houver alternativa, não coloque espaço entre as iniciais: (B.J.L.).

INTERTÍTULOS
Devemos usar um por lauda, para tornar mais leve o texto. O ideal é que o primeiro venha logo após o segundo parágrafo. Daí para a frente, um a cada 25/30 linhas. E o intertítulo deve ter uma única palavra.

IRONIA
Evite sempre. Nós fazemos notícia, não fazemos editoriais.

JORNAIS E OUTROS
Sempre que a gente tiver que escrever nomes de jornais, usemos o recurso do itálico. A Gazeta, TV Tribuna, Notícia Agora, etc.

LEAD
Em inglês, esta palavra quer dizer "conduzir", "liderar". Atualmente, há muita gente que contesta o princípio do uso do "o quê, que, quando, como, onde e por quê?" na redação das aberturas de matérias jornalísticas. Ainda assim, responder a essas questões na abertura da notícia é o melhor caminho para produzir um bom texto. Como na Prefeitura de Vitória nós lidamos quase sempre com informações de natureza fatual, noticiosas, é imperioso usar o recurso para introduzir o leitor no texto e prender sua atenção. O primeiro parágrafo deve ser, sempre que possível, uma síntese da notícia. Deve dar ao leitor informações suficientes para que ele se sinta informado. O ideal é que tenha cinco linhas. Mas pode ter seis e, em situações extremas, sete. Nunca mais do que isso. Também é preciso que seja escrito em ordem direta (sujeito, verbo e predicado), sempre respeitadas as normais que obrigam a citação do nome da Prefeitura, secretarias ou outros organismos, quando for o caso.

MEIO AMBIENTE
Não usemos como sinônimo de ecologia, que é uma disciplina, um ramo da biologia.

MENOR
Evite o termo para se referir a criança ou adolescente. A legislação brasileira vigente proíbe a publicação de nome de criança ou adolescente a que se atribuam infrações. Use as iniciais como explicado em "INICIAIS".

METÁFORA
Figura de linguagem na qual o significado imediato de uma palavra é substituído por outro. Pode ajudar a tornar o texto didático. Mas evitemos as já desgastadas pelo excesso de uso: aurora da vida, luz no fim do túnel, silêncio sepulcral, página virada e outras. Valente soldado do fogo, por exemplo, é o fim da picada.

MÍDIA
Designa os meios de comunicação, sendo palavra que o português tirou do inglês. Mídia eletrônica identifica os meios de comunicação eletrônicos como o Diário de Vitória. Mídia impressa são os meios de comunicação impressos.

MINORIA
Este conceito não é usado apenas por critério quantitativo, mas também político. Minorias étnicas, raciais, religiosas, sexuais, políticas, ideológicas ou de qualquer outro tipo devem ser tratadas sem preconceitos.

MORTE
Não use falecimento, passamento, trespasse ou outro tipo de eufemismo. Pessoas, bichos e plantas morrem mesmo.

MULHERES
Trate mulheres que são personagens de notícia da mesma forma que os homens. Informe profissão, cargo e, quando possível, idade. Na segunda menção à pessoa em um mesmo texto, identifique-a pelo sobrenome ou então pela designação com a qual ela é mais conhecida.

NARIZ-DE-CERA
Parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico do texto. É sinal de prolixidade incompatível com o jornalismo.

NEGRO
Significa raça. As pessoas desta raça jamais devem ser chamadas de pretas ou de qualquer outra designação preconceituosa. Preto, por sinal, é uma cor. Assim como amarelo, vermelho, azul, etc.

NOMES CIENTÍFICOS
Escreva em itálico, com o gênero em maiúscula e a espécie em minúscula. Da seguinte forma: Homo sapiens (espécie humana).

NOMES ESTRANGEIROS
Respeite a grafia original, mas ignore toda a espécie de sinais que não tenham correspondentes em português. Em casos de nomes próprios provenientes de línguas com outros alfabetos, o ideal é transliterar de acordo com a pronúncia aproximada. Quando o nome tiver um correspondente consagrado em língua portuguesa, use-o em lugar da grafia original (Nova York em lugar de New York).

NOMES PRÓPRIOS
Escreva de acordo com o registro original ou com a forma usada profissionalmente pela pessoa. Nomes próprios não seguem regras ortográficas. Em caso de dúvida, peça à pessoa para soletrar seu nome. Ninguém gosta de ver o nome escrito errado.

NUMERAIS
A maioria dos jornais escreve por extenso números inteiros de zero a dez, além de cem e mil, sejam cardinais ou ordinais. Depois do dez, escrevemos os algarismos. Evite, quando não for obrigatório, o uso de algarismos romanos.

OPINIÃO
Jornalistas devem se abster de opinar ou emitir juízo de valor ao redigir uma notícia. Jornalismo crítico não depende da opinião de quem escreve; um registro, confronto de dados, informações e opiniões alheias podem ser muito mais contundentes do que a opinião de um jornalista.

O PREFEITO
O prefeito deve ser sempre citado, nas aberturas de texto, por seu nome completo: "Luiz Paulo Vellozo Lucas". Nas seqüências das matérias, com o nome pelo qual é chamado normalmente: "Luiz Paulo". Deve-se usar tal princípio para citar todas as autoridades da Prefeitura: secretários, prefeitinhos, etc. E para não haver erros ou reclamações, sempre que uma autoridade nova ingressar no serviço municipal, ela deve ser consultada sobre como gosta de ser chamada. Evidentemente, não devemos usar apelidos, a não ser que sejam consagrados no lugar do nome.

ÓRGÃOS SUBORDINADOS
Em muitos textos, citamos os órgãos que são subordinados à Prefeitura. Secretarias, administrações regionais, etc. Nestes casos, devemos unir os dois na citação da procedência. Exemplo: "A Prefeitura de Vitória, por intermédio da Secretaria da Saúde (Semus), anuncia hoje..." Ou então: "A Secretaria da Saúde (Semus) da Prefeitura de Vitória anuncia hoje..."

PAÍS
Com maiúscula, principalmente quando se referir ao Brasil.

PALÁCIO
Este sempre vem em letras maiúsculas, pois designa sede de poder. Palácio da Alvorada, Palácio Anchieta, Palácio Domingos Martins, Palácio do Governo, etc. O termo Paço Municipal também deve ser grafado com maiúsculas.

PALAVRÃO
Nem pensar. O nível do jornalismo deve ser sempre preservado. O uso de expressões chulas vulgariza o trabalho jornalístico. Mesmo quando o vulgar é usado pelo entrevistado, deve ser suprimido. A menos que a notícia só exista em unção disso. E, mesmo assim, dependendo do palavrão, ele deve ser escrito só com a primeira letra seguida de três pontinhos.

PALAVRAS COMPOSTAS
As palavras compostas podem ser estruturadas destas maneiras: substantivo + substantivo: navio-fantasma; substantivo + de + substantivo: água-de-colônia; substantivo + adjetivo: amor-perfeito; adjetivo + substantivo: belas-artes; forma verbal + substantivo: porta-estandarte; adjetivo + adjetivo: amarelo-escuro; forma verbal + forma verbal: corre-corre; advérbio + advérbio: menos-mal; advérbio + adjetivo: meio-morto; advérbio + particípio: bem-feito. Há, ainda, outras combinações bem mais complexas: deus-nos-acuda, chove-não-molha.

PALAVRAS ESTRANGEIRAS
Só use se não houver correspondente em português. Ervilha todo mundo sabe o que é. Petit pois, só os professores de francês. Há exceções. Aqui no Brasil, soutien, que a gente escreve como sutiã, é mais comum que "porta-seios". Trata-se de uma palavra que foi aportuguesada.

PARLAMENTO/CONGRESSO
Não são sinônimos, embora pareça. Parlamento é conceito mais geral, mas há uma tendência da língua de reservar o termo para assembléias de países com regime parlamentarista. Congresso é a palavra mais comum para designar a reunião de duas câmaras em regimes presidencialistas. Nós somos um país que tem regime bicameral e, portanto, Congresso.

PASTA
Quando este termo significar o cargo que a pessoa exerce, o "P" tem que vir maiúsculo pois está substituindo o cargo: "o titular da Pasta (ministro da Fazenda) viajou ontem para Brasília".

PIEGUICE
A função do jornalismo é informar e não comover. Emoção, em jornalismo, é resultado de fatos narrados e não de estilo. A propósito, vale a pena lembrar um texto publicado por um grande jornal de São Paulo, na década de 30, e que se referia a uma garota que cometera suicídio: "Tinha 17 anos, na flor da mocidade, virgem e bela, Oh!, destino implacável. Morreu como morrem as flores nas campinas...", e foi embora o poeta de redação com seus lamentos infindáveis...

PIRÂMIDE INVERTIDA
Técnica de redação jornalística que remete as informações mais importantes para o início do texto e as demais, em hierarquização decrescente, em seguida. Isso servia aos interesses dos jornais, que às vezes precisavam cortar as matérias pelo "pé". Por isso, era costume dizer que pé de matéria e pé de galinha tinham sido feitos para cortar. Não temos este problema no Diário de Vitória, mas a técnica é a ideal, pois ajuda o leitor. Ele tem o principal logo no início da leitura e, se quiser parar antes do final, não perderá nada de muito importante.

PLANALTO
Nome do palácio que serve como sede do governo brasileiro, em Brasília. Deve ser sempre escrito em maiúscula.

PLEONASMO
É a redundância de termos. Em texto jornalístico, como vício, é intolerável: "O alpinista João da Cruz subiu para cima da montanha". "O marido de Joana entrou para dentro do quarto".

PLURAL DE PALAVRAS COMPOSTAS
A regra prática é esta: flexione os elementos variáveis (substantivos e adjetivos) e não flexione os que não forem (verbos, advérbios e prefixos). Exemplos: dois termos variáveis - cirurgiões-dentistas, curtas-metragens; o segundo variável - sempre-vivas, mal-educados; o primeiro variável - pés-de-moleque, canetas-tinteiro; nenhum varia - os leva-e-traz, os bota-fora; casos especiais - os louva-a-deus, os diz-que-diz, os bem-te-vis, os bem-me-queres e os malmequeres. Outros casos: adjetivos. Quando há dois adjetivos, só o segundo vai para o plural - político-sociais, castanho-claros. As exceções são três: surdos-mudos, azul-marinho e azul-celeste, os dois últimos invariáveis. Quando a primeira palavra é um adjetivo e a segunda um substantivo, o adjetivo composto não tem forma especial de plural: vestidos verde-musgo, salas cor-de-rosa.

POR OUTRO LADO E VIA DE REGRA
Evite ao máximo esse cacoete de linguagem. "Via de regra", então, nem pensar. Este último teve um destino trágico. Conta-se que em um jornal do Rio de Janeiro, determinado repórter tinha o hábito de usá-lo. O diretor de redação já havia implorado ao moço para parar de escrever assim, mas sem sucesso. Um dia, ele não suportou mais. Pegou o jornal, destacou em vermelho o cacoete e escreveu ao lado: "Meu filho, via de regra é b...".

POR QUE/PORQUE
Usa-se por que (separado) em frases interrogativas; Por que ela não chegou? Também se usa separado em frases afirmativas quando significam a razão pela qual: Ele não disse por que não veio. Usa-se porque (junto) quando se dá explicação ou causa: Ele não veio porque não quis. Também se usa o porque (junto) nas interrogativas em que a resposta já é sugerida: Você não veio porque estava viajando? Há, finalmente, formas por quê e porquê. Usa-se por quê (acentuado) em final de frase ou quando se quer enfatizar ainda mais uma pausa forte, marcada por vírgula: Ela não chegou ainda por quê?; Não sei por quê, mas acho.." . Já o porquê (junto) é substantivo: "Não entendo o porquê de sua indiferença".

POVO
Deve-se evitar o termo em sociedades nacionais organizadas em estruturas complexas como a nossa. Não temos problemas étnicos. O ideal é usar população ou sociedade.

PREÇO
É praxe dizer que o preço está caro ou barato. Mas é errado. Preços só podem ser altos ou baixos. Caras e baratas são as mercadorias: "Eu ia comprar aquela camisa, mas ela está muito cara."

PREFEITURA
Nós trabalhamos para a Prefeitura de Vitória. Portanto, em todos os textos em que falamos de realizações dela, ou de atos dos quais ela participe direta ou indiretamente, temos que citá-la logo no lead. Se for impossível, no máximo no sub-lead. E citá-la como "Prefeitura de Vitória". Não é preciso dizer "Prefeitura Municipal de Vitória". E nunca devemos dizer "PMV". No geral, escreva com maiúscula quando fizer parte de nome completo: Prefeitura de Vitória. Sempre que for ser feita uma segunda menção, use minúscula: os servidores da prefeitura estão fazendo vários cursos de aperfeiçoamento. Quando usarmos apenas Prefeitura, devemos fazê-lo também em caixa alta. Há menos que estejamos falando de forma genérica: "Há prefeitura que não acaba mais no Brasil!"

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Sempre em maiúsculas. Mesmo quando o termo vier simplificado: "o candidato à Presidência."

PRESIDENTE
Usar sempre como substantivo comum-de-dois: o presidente, a presidente.

PRESIDENTE E OUTROS
Deve-se usar o cargo em letras maiúsculas quanto ele substitui o nome. Em minúsculas quando não acontece isso. Exemplos: "O Presidente da República viajou ontem..." Ou então: "O presidente Fernando Henrique Cardoso esteve ontem..." Isso se aplica a governador, prefeito e aos nomes das unidades da federação (estados). A palavra "município" segue a mesma regra. Não há uma norma absoluta para tal procedimento, mas é assim que acontece na maioria dos casos e é recomendado por professores da língua portuguesa.

PRIMEIRO MUNDO
Escrever com maiúsculas. Assim como Terceiro e Quarto Mundo.

PROFISSÕES
Escreva sempre com minúsculas: jornalista, médico, escritor, sanitarista...

PROGRAMA DE TV
Escreva sempre os nomes dos programas sem aspas e com maiúsculas no início de cada palavra: Jornal Nacional, Fantástico, Jornal da Manchete.

PROPAGANDA
Definição de mestre Aurélio Buarque de Holanda: "atividade que visa a influenciar o homem com objetivo religioso, político ou cívico". Tendo finalidade comercial, deve-se usar publicidade.

PROVÍNCIA
Jamais usar com conotação preconceituosa. O termo refere-se a Estado, mas só é usado em alguns países da Europa, como a Áustria.

QUE
Evite o excesso, para tornar o texto mais leve. Se for necessário o uso de muito "que", utilize ponto e divida o período em dois ou três. O "quê" acentuado existe da mesma forma que o "por quê" com acento: "Ela tem um quê de Sônia Braga". Neste caso, ele se transforma em substantivo.

REGÊNCIA
Eis um dos mais extensos e difíceis capítulos da sintaxe. E que provoca muitos erros. Como a maioria das gramáticas aborda só em parte o tema, dúvidas têm que ser tiradas caso a caso, com o uso do dicionário ou livros à disposição. "Português Instrumental", (veja bibliografia) tem bom capítulo sobre o assunto. Vamos dar só três regras básicas: a) - não ligue duas ou mais palavras com regimes diferentes a um mesmo complemento. Não escreva: Gostei e recitei o poema; o correto é: Gostei do poema e o recitei. B) - evite construções com infinitivo precedido das contrações do e da. Não escreva: Já é hora do ministro se demitir. O certo é: Já é hora de o ministro se demitir. C) - não omita preposições necessárias, embora alguns puristas façam isso: Ambos concordaram (em) que essas idéias não tinham senso comum (Machado de Assis).

REGIÕES GEOGRÁFICAS
Com maiúsculas, se forem oficiais: Triângulo Mineiro, Vale do Canaã. Este mesmo princípio se aplica a regiões geográficas, quando referentes a partes de um território: Região Sul do Espírito Santo, Região Norte, Sul do País, Norte do Estado. OBS: note que, no penúltimo exemplo, país entrou com "P" maiúsculo porque substitui o nome "Brasil".

REGIONALISMO
O mesmo que bairrismo. Pode levar as pessoas a não entenderem o que se está querendo dizer. A menos que o texto seja sobre isso, evite chamar, por exemplo, um camelô de marreteiro. Ou abóbora com carne seca de jerimum com jabá. Até porque "jabá", em jornalismo, é pecado mortal.

REIS E DEMAIS SOBERANOS
Sempre com minúscula: O rei da Espanha, Catarina foi imperatriz da Rússia, etc. O mesmo se aplica a outras classificações, como reitor, por exemplo.

REPETIÇÃO DE PALAVRAS
É sumamente necessário evitar sempre. O emprego de vocabulário amplo enriquece o texto jornalístico. Mas cuidado com uma armadilha: o uso de muitos sinônimos pode levar à imprecisão. Não podemos ficar chamando o advogado de jurista, doutor ou causídico. Neste caso, é melhor repetir o termo.

RESENHA
A gente faz muito, sobretudo em artes e espetáculos. Deve ser bem informativa, para que o leitor tenha idéia do conteúdo da obra, autor, etc. Mas exige emissão de opinião. Como os nossos textos são todos assinados, problema nenhum. De qualquer forma, as críticas jamais devem ser agressivas.

REVISTA
Escreva os nomes por extenso, sem aspas: Manchete, Isto É, Caras, Veja, Época.

SALTO
Salto com vara, salto ornamental, salto-mortal. Cuidado, pois alguns têm hífen e outros, não. O mesmo acontece com salva: salva de palmas, salva-vidas.

SÃO/SANTO
Informação aos agnósticos e protestantes de maneira geral: são, para os nomes começados com consoante; santo, para os começados com vogal: "são Tomás de Aquino", "santo André".

SE
É preciso ter cuidado aqui. Ele pode ter nove funções diferentes, mas jamais será sujeito. Portanto, é errado dizer: aluga-se casas; não se podia evitar os aumentos". Nos dois casos, os sujeitos são casas e aumentos. Então, os verbos têm que concordar com eles: alugam-se casas; não se podiam evitar os aumentos. O termo também costuma causar problemas em mais dois tipos de construção; a) - partícula apassivadora (voz passiva): alugam-se casas (casas são alugadas). b) - índice de indeterminação do sujeito (sujeito indeterminado): aqui passeia-se muito. Tomem cuidado também com construções onde o se é perfeitamente dispensável e até absurdo: É possível se dizer que a língua é difícil; Por se falar nisso; A confusão tornou difícil se perceber quem estava por perto. Nestes casos, basta tirar a partícula e os textos ficam corretos.

SEÇÃO/SESSÃO/CESSÃO
Eis nova fonte de erros: seção quer dizer parte, divisão: seção de pessoal; sessão significa tempo de duração de alguma coisa: sessão de cinema; finalmente, cessão quer dizer o ato de ceder: fazer cessão de seus direitos.

SE NÃO/SENÃO
Se não deve ser usado quando a expressão puder ser substituída por caso não ou quando não. Ou então quando introduzir oração como conjunção integrante: Perguntou se não era tarde demais. Senão deve ser usado nos demais casos: Corre, senão a polícia te pega.

SIGLA
Geralmente elas criam dificuldades para o leitor. Portanto, a não ser que seja uma sigla consagrada (PMDB, por exemplo), a gente deve colocá-la logo adiante do nome completo: Secretaria Municipal de Esportes (Semesp). Sigla em título, somente se for consagrada. Além disso, quando se tratar de termos não pronunciáveis como palavras, todas as letras devem vir em caixa alta. Se formar uma palavra, alto e baixo. Esta regra tem uma única exceção: ONU. É que a sigla foi assim registrada pela organização.

TACHAR/TAXAR
Tacha é um tipo de prego. O termo também significa mancha, nódoa, defeito. O vereador foi tachado de corrupto. Já taxa é uma e espécie de imposto.

TEMPOS VERBAIS
É preciso tomar cuidado com o uso correto dos tempos verbais. Muitas vezes a gente tenta escrever uma coisa e escreve outra, por não ter este cuidado. Note o exemplo: O desfalque foi grande. O desfalque teria sido grande. No primeiro caso a gente está fazendo uma afirmação. No segundo, praticamente duvidando da informação. Portanto, é preciso não esquecer que os tempos verbais obedecem a regras de correlação. E consultar livros sobre o assunto sempre que houver dúvidas a esse respeito.

TÍTULOS DE OBRAS
Escrevam os nomes das obras e espetáculos sem aspas e com maiúsculas no início de cada palavra: E o Vento Levou, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, O Inspetor Geral.

TODO DIA/TODO O DIA
Sem artigo significa diariamente. Com o artigo, durante o dia inteiro. Coisa parecida acontece com todo mundo e todo o mundo. Sem o artigo significa todos. Com ele, o mundo inteiro.

TRANSCRIÇÃO
Transcrições literais de trechos de obras devem ser feitas sempre entre aspas. E usadas homeopaticamente, como já foi dito.

TRATAMENTO DE PESSOA
Depois de identificado pela primeira vez na matéria, o personagem da notícia deve ser citado apenas pelo sobrenome ou nome pelo qual é mais conhecido. "Luiz Paulo", e nunca "Vellozo Lucas". Quando se tratar de político, é necessário dizer o cargo, o partido e o Estado. Da segunda menção em diante, o tratamento deve ser igual ao das demais pessoas.

TRATAMENTO DO LEITOR
Sempre no singular: Leia matéria no site da Secretaria de Cultura. Não devemos escrever "Leiam..."

VÁLIDO
Vamos usar apenas no sentido de ter validade ou vigência.

VELHO
Como isso geralmente significa deteriorado pelo tempo, não vamos usar para designar pessoa. O ideal é dizer a idade. Não sendo possível, pode-se usar idoso. E idosas são pessoas com mais de 60 anos.

VIAS E LOGRADOUROS
Escreva sempre com minúsculas: avenida Beira Mar, rua General Osório. Mas isso não é regra geral. Praia da Costa, Praça do Índio, Bairro da Penha, Praia de Camburi e outras formam um nome composto. Tudo abrindo com letras maiúsculas. Da mesma forma, Região da Grande São Pedro cabe na explicação que fala das regiões geográficas.

VISAR, ALMEJAR, ASPIRAR
Há normas específicas para as transições direta e indireta de verbo, no caso de "visar". Exemplo: "Com o projeto, a Prefeitura de Vitória visa a devolver a Vitória a paisagem urbana que a caracteriza como uma das mais antigas cidades do Brasil." O certo/errado é feito da seguinte maneira:
Em projeto de deputada está no senado e visa combater a evasão escolar. O texto não está correto.
É que o verbo visar pode ter as seguintes predicações verbais:
01) Verbo transitivo direto, ou seja, verbo sem preposição alguma, quando significar dirigir a vista ou o olhar a algo, apontar arma de fogo contra alguém ou pôr o sinal de visto em algo. Veja alguns exemplos:
A professora visou o garoto mais peralta da turma com um olhar de censura.
O atirador visou o alvo demoradamente.
A professora visou todos os trabalhos dos alunos.
02) Verbo transitivo indireto, com a preposição a, quando significar ter por fim ou objetivo, almejar, mesmo que o elemento que surgir à frente do verbo seja outro verbo no infinitivo. Veja alguns exemplos:
Ele visa a uma vaga em Medicina.
Sempre visou a ter muito dinheiro.
Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não admitirá o uso do pronome lhe como objeto indireto. Deveremos usar as formas analíticas a ele, a ela, a eles, a elas. Por exemplo: Ao cargo de diretor, aspiro a ele, sim.
A frase apresentada deve, então, ser assim escrita:
Projeto de deputada está no Senado e visa a combater a evasão escolar.

VOZ PASSIVA
Evite. Tira a ênfase do noticiário jornalístico. Prefira sempre a voz ativa

 



 

Carta

Inicialmente, é preciso destacar dois tipos básicos de carta. O primeiro é a correspondência oficial e comercial, que nos é enviada pelos poderes políticos ou por empresas privadas (comunicações de multas de trânsito, mudanças de endereço e telefone, propostas para renovar assinaturas de revistas, etc.). Este tipo de carta caracteriza-se por seguir modelos prontos, em que o remetente só altera alguns dados. Apresentam uma linguagem padronizada (repare que elas são extremamente parecidas, começando geralmente por "Vimos por meio desta...") e normalmente são redigidas na linguagem formal culta. Nesse tipo de correspondência, mesmo que venha assinada por uma pessoa física, o emissor é uma pessoa jurídica (órgão público ou empresa privada), no caso, devidamente representada por um funcionário.

Outro tipo de correspondência é a carta pessoal, que utilizamos para estabelecer contato com amigos, parentes, namorado (a). Tais cartas, por serem mais informais que a correspondência oficial e comercial, não seguem modelos prontos, caracterizando-se pela linguagem coloquial. Nesse caso o remetente é a própria pessoa que assina a correspondência.

Embora você passa encontrar por aí livros que trazem "modelos" de cartas pessoais (principalmente "modelos de carta de amor"), fuja deles, pois tais "modelos" se caracterizam por uma linguagem artificial, surrada, repleta de expressões desgastadas, além de serem completamente ultrapassados.

Não há regras fixas (nem modelos) para se escrever uma carta pessoal Afora a data, o nome (ou apelido) da pessoa a quem se destina e o nome (ou apelido) de quem a escreve, a forma de redação de uma carta pessoal é extremamente particular.
No processo de comunicação (e a correspondência é uma forma de comunicação entre pessoas), não se pode falar em linguagem correta, mas em linguagem adequada. não falamos com uma criança do mesmo modo que falamos com um adulto.

A linguagem que utilizamos quando discutimos um filme com os amigos é bastante diferente daquela a que recorremos quando vamos requerer vaga para um estágio ao diretor de uma empresa. Em síntese: a linguagem correta é a adequada ao assunto tratado (mais formal ou mais informal), à situação em que está sendo produzida, à relação entre emissor e destinatário (a linguagem que você utiliza com um amigo íntimo é bastante diferente da que utiliza com um parente distante ou mesmo com um estranho).

Na correspondência deve ocorrer exatamente a mesma coisa: a linguagem e o tratamento utilizados vão variar em função da intimidade dos correspondentes, bem como do assunto tratado. Uma carta a um parente distante comunicando um fato grave ocorrido com alguém da família apresentará uma linguagem mais formal. Já uma carta ao melhor amigo comunicando a aprovação no vestibular terá uma linguagem mais simples e descontraída, sem formalismos de qualquer espécie.

As Expressões Surradas

na produção de textos, devemos evitar frases feitas e expressões surradas (os chamados clichês), como "nos píncaros da glória", "silêncio sepulcral", "nos primórdios da humanidade", etc. Na carta, não é diferente. Fuja de expressões surradas que já aparecerem em milhares de cartas, como "Escrevo-lhes estas mal traçadas linhas" ou "Espero que esta vá encontrá-lo gozando de saúde" (originais, não?)

A Coerência no Tratamento

Na carta formal, é necessário a coerência no tratamento. Se a iniciamos tratando o destinatário por tu, devemos manter esse tratamento até o fim, tomando todo o cuidado com pronome e formas verbais, que deverão ser de segunda pessoa: se, ti, contigo, tua, dize, não digas, etc. Caso comecemos a carta pelo tratamento você, devemos manter o tratamento em terceira pessoa até o fim: se, si, consigo, o, a, lhe, sua, diga, não digas, etc.
Nesse tipo de carta, são comuns os erros de uniformidade de tratamento como o que apresentamos abaixo:

Você deverá comparecer à reunião. Espero-te ansiosamente.
Não se esqueça de trazer tua agenda.

Observe que não há nenhuma uniformidade de tratamento: começa-se por você (terceira pessoa), depois passa-se para a segunda pessoa (te), volta-se à terceira (se), terminando com a segunda (tua).

Ainda com relação à uniformidade, fique atento ao emprego de pronomes de tratamento como Vossa Senhoria, Vossa Excelência, etc. Embora se refiram às pessoas com quem falamos, esses pronomes devem concordar na terceira pessoa. Veja:

Aguardo que Vossa Senhoria possa enviar-me ainda hoje os relatórios de sua autoria.
Vossa Excelência não precisa preocupar-se com seus auxiliares.

 



 

Parágrafo

Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou dissertativos, são estruturados geralmente em unidades menores, os parágrafos, identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a unidade temática, já que cada idéia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo.

"O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou mais de um período em que desenvolve determinada idéia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela."
[GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 7.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1978, p. 203.]

Essa definição não se aplica a todo o tipo de parágrafo: trata-se de um modelo - denominado parágrafo-padrão - que, por ser cultivado por bons escritores modernos, o aluno poderá (e até deverá) imitar:
Muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com idéias e exigem maior rigor e objetividade na composição, o parágrafo-padrão apresente a seguinte estrutura:

a) introdução - também denominada tópico fasal, é constituída de uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a idéia principal do parágrafo, definindo seu objetivo;

b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal, com apresentação de idéias secundárias que o fundamentam ou esclarecem;

c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos mais curtos e simples, a conclusão retoma a idéia central, levando em consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento.

Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma idéia que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada por uma conclusão.

Os Parágrafos na Dissertação Escolar

As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um para a conclusão).

É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema proposto e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em parágrafos (cada um correspondendo a uma determinada idéia que nele se desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do texto em sua totalidade.

Parágrafo Narrativo

Nas narrações, a idéia central do parágrafo é um incidente, isto é, um episódio curto.
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se referem a personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.

O que falamos acima aplica-se ao parágrafo narrativo propriamente dito, ou seja, aquele que relata um fato (lembrando que podemos ter, em um texto narrativo, parágrafos descritivos e dissertativos).

Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com a do narrador ou com a de outro personagem.

Parágrafo Descritivo

A idéia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um fragmento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.

O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas ou coordenadas.

 



 

Ambigüidade

A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão, dá-se o nome de ambigüidade. Ocorre geralmente, nos seguintes casos:

Má colocação do Adjunto Adverbial

Exemplos: Crianças que recebem leite materno freqüentemente são mais sadias.

As crianças são mais sadias porque recebem leite freqüentemente ou são freqüentemente mais sadias porque recebem leite?

Eliminando a ambigüidade: Crianças que recebem freqüentemente leite materno são mais sadias.
Crianças que recebem leite materno são freqüentemente mais sadias.

Uso Incorreto do Pronome Relativo

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava sobre a cama.

O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?

Eliminando a ambigüidade: Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes a qual estava sobre a cama.
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava sobre a cama.

Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e aliança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, haveria necessidade de uma reestruturação diferente.

Má Colocação de Pronomes, Termos, Orações ou Frases

Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto.

O garotinho estava no quarto dele ou da senhora?

Eliminando a ambigüidade: Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dela.
Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele.

Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo.

Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?

Eliminando a ambigüidade: O menino avistou um mendigo que estava sentado na varanda.
O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo.

 



 

Coerência Textual

Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, convencer, discordar, ordenar, etc., ou seja, o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos um texto em que há coerência.

A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressuposto para o(s) que lhe estender(em), formando assim uma cadeia em que todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um anterior, perde-se a coerência textual.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao contexto extraverbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa ser conhecido pelo receptor.
Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capital do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).

Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.

No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a realidade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apresentar elementos lingüísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade.

Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalidade do fato narrado



 

 

Pontuação

Parênteses - Este sinal () é usado em orações intercaladas e incidentes: "Corri ao ilustre ateniense, para levantá-lo, mas (com dor o digo) era tarde: estava morto, morto pela segunda vez." (Machado de Assis, Uma visita de Alcibíades.) O acordo de 1943 diz que o sinal de pontuação deve marcar-se depois dos parênteses, sempre que a pausa coincidir com o início da oração incidente. Mas quando a frase inteira ou qualquer unidade se achar encerrada pelos parênteses, coloca-se dentro destes a pontuação competente. Portanto, não há simultaneamente pontos-finais antes e depois dos parênteses. Havendo um ponto antes, o seguinte virá antes do segundo parêntese.

Pontuação com ETC. - Etc. é abreviatura da expressão latina et cetera (ou caetera) que significa 'e outras coisas', 'e outros', 'e assim por diante': Comprou livros, revistas, etc.

Pontuação nos títulos e cabeçalhos - Todos os cabeçalhos e títulos são encerrados por pontos-finais. Não há uniformidade quando ao uso desta pontuação, mas é de bom tom seguir o que determina a ortografia oficial vigente. Isso embora muita gente considere mais estético não pontuar títulos. Em jornalismo, por exemplo, não se usa a pontuação de titulação.

Ponto de exclamação - Quase sempre desnecessário em texto jornalístico. Só deve ser usado em declarações enfáticas, e sempre entre aspas.

Ponto-e-vírgula - Indica pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Emprega-se nos seguintes casos: A) para separar orações coordenadas não unidas por conjunção, que guardem relação entre si: a represa está poluída; os peixes estão mortos. B) para separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já tem elementos separados por vírgula: o resultado final foi o seguinte: 20 deputados votaram a favor da emenda; 39, contra. C) para separar os diversos itens de uma enumeração, principalmente quando há vírgulas em seu interior: Compareceram ao evento: Herbert de Souza, o Betinho, cientista social; Paulo Santos, historiador; Marcos Tavares, economista, e Antônio Rocha, cientista político.

Travessão - O travessão (-) não passa de um hífen prolongado e tem os seguintes empregos: 1) liga palavras ou grupos de palavras que formam encadeamentos vocabulares: O percurso Rio - São Paulo. A estrada de ferro Rio Grande do Sul - São Paulo. 2) substitui parênteses, vírgulas e dois pontos em alguns casos: "...vendo naquela paz de claustro católico como um recanto da pátria recuperada - o abrigo e a consolação - rolaram-me das pálpebras duas lágrimas mudas." (Eça de Queiroz, O Mandarim.) 3) indica dialogação, mudança de interlocutor: "Imagino Irene entrando no céu: - Licença, meu branco! E São Pedro bonachão: - Entra, Irene. Você não precisa pedir licença." (Manuel Bandeira, Irene no Céu.) 4) evita a repetição de um termo já mencionado: Assis (Joaquim Maria Machado de -) 5) dá ênfase e realce à palavra ou pensamento que segue: "Só há um caminho para a conquista da natureza, dos homens, de si mesmo: - saber. Não há outro meio de o conseguir: - querer. (Afrânio Peixoto)

Vírgulas - Como as pessoas erram demais neste ponto, vamos repetir aqui as regras gerais já deixadas na redação do GAB-COM. Devemos usar vírgulas para:
1 - Separar palavras da mesma classe. Exemplo: "A casa tem três quartos, dois banheiros, três salas e um quintal".
2 - Para separar vocativos. Exemplo: "Minha filha, não seja precipitada."
3 - Para separar apostos. Exemplo: "Brasília, Capital da República, foi fundada em 1960."
4 - Para separar palavras e expressões explicativas, retificativas ou continuativas. Exemplos: "Gastamos R$ 1 mil, isto é, tudo o que tínhamos". "Ela não pôde vir, ou melhor, não quis vir". "Quer dizer que você, então, não mais verá o Festival de Monólogos?"
5 - Para separar orações coordenadas assindéticas. Exemplo: "O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém."
6 - Antes de todas as conjunções coordenativas, menos e e nem aditivas (o e, quando equivale a mas, exige anteposição de vírgula). Exemplos: "Eu queria falar, mas não conseguia". "Cumprimos nossa obrigação, logo nada temos a temer" . "Não chore, que será pior."
7 - Depois do elemento coordenativo e correlativo de não só. Exemplo: "Lars Grael não só pediu, mas exigiu Justiça."
8 - Para separar todas as conjunções adversativas e conclusivas no meio da frase. Exemplo: "Estou triste; não estou, porém, decepcionado."
9 - Antes da conjunção e, quando os sujeitos forem diferentes. Exemplo: "O homem vendeu o carro, e a mulher protestou." No caso, "homem" é sujeito de "vendeu", e "mulher" é sujeito de "protestou".
10 - Antes de e e nem repetidos. Exemplos: "Ele chegou, e gritou, e esbravejou, e esperneou, e morreu." Ela não é lindíssima, nem elegante, nem inteligente, nem educada, mas é a mais nova loura do Tcham."
11 - Para separar o nome da localidade, nas datas. Exemplo: "Vitória, 5 de junho de 2000."
12 - Depois de qualquer termo da oração que apareça fora do seu lugar normal. Exemplo: "As laranjas, você chegou a comprar?"
13 - Para separar qualquer oração que venha antes ou no meio da principal. Exemplos: "Quando o prefeito voltar, avise-nos imediatamente". "O artista que ficou satisfeito com a sua obra, faltou à vocação".
14 - Para separar orações adverbiais explicativas. Exemplo: "Vitória, que é Capital do Espírito Santo, é conhecida como Cidade Presépio."
15 - Para separar adjuntos adverbiais longos. Exemplo: " Depois de algumas semanas de trabalho árduo, voltamos para casa."
16 - Para separar todas as palavras repetidas e também indicar omissão de verbos facilmente subentendidos. Exemplos: "Mulheres, mulheres, mulheres, quantas mulheres?" Ou então: "Carmen ficou alegre; eu, muito triste."

Coerência Textual

Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, convencer, discordar, ordenar, etc., ou seja, o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos um texto em que há coerência.

A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressuposto para o(s) que lhe estender(em), formando assim uma cadeia em que todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um anterior, perde-se a coerência textual.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao contexto extraverbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa ser conhecido pelo receptor.
Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capital do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).

Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.

No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a realidade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apresentar elementos lingüísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade.

Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalidade do fato narrado

 



 

As Funções da Linguagem

Para entendermos com clareza as funções da linguagem, é bom primeiramente conhecermos as etapas da comunicação.

Ao contrário do que muitos pensam, a comunicação não acontece somente quando falamos, estabelecemos um diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em todos (ou quase todos) os momentos.
Comunicamos-nos com nossos colegas de trabalho, com o livro que lemos, com a revista, com os documentos que manuseamos, através de nossos gestos, ações, até mesmo através de um beijo de “boa noite”.

É o que diz Bordenave quando se refere à comunicação:

A comunicação confunde-se com a própria vida. Temos tanta
consciência de que comunicamos como de que respiramos ou
andamos. Somente percebemos a sua essencial importância
quando, por acidente ou uma doença, perdemos a capacidade
de nos comunicar. (Bordenave, 1986. p.17-9)

No ato de comunicação percebemos a existência de alguns elementos, são eles:

a) emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser uma única pessoa ou um grupo de pessoas).


b) receptor: é aquele a quem a mensagem é endereçada (um indivíduo ou um grupo), também conhecido como destinatário.

c) canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é transmitida.

d) código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem: o emissor codifica aquilo que o receptor irá descodificar.

e) contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.

Partindo desses seis elementos Roman Jakobson, lingüista russo, elaborou estudos acerca das funções da linguagem, os quais são muito úteis para a análise e produção de textos. As seis funções são:

1. Função referencial: referente é o objeto ou situação de que a mensagem trata. A função referencial privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações objetivas sobre ele. Essa função predomina nos textos de caráter científico e é privilegiado nos textos jornalísticos.

2. Função emotiva: através dessa função, o emissor imprime no texto as marcas de sua atitude pessoal: emoções, avaliações, opiniões. O leitor sente no texto a presença do emissor.

3. Função conativa: essa função procura organizar o texto de forma a que se imponha sobre o receptor da mensagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas mensagens em que predomina essa função, busca-se envolver o leitor com o conteúdo transmitido, levando-o a adotar este ou aquele comportamento.

4.Função fática: a palavra fático significa “ruído, rumor”. Foi utilizada inicialmente para designar certas formas que se usam para chamar a atenção (ruídos como psiu, ahn, ei). Essa função ocorre quando a mensagem se orienta sobre o canal de comunicação ou contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiência.

5. Função metalingüística: quando a linguagem se volta sobre si mesma, transformando-se em seu próprio referente, ocorre a função metalingüística.

6. Função poética: quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de idéias, temos a manifestação da função poética da linguagem. Essa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa. É explorado na poesia e em textos publicitários.

Essas funções não são exploradas isoladamente, de modo geral, ocorre a superposição de várias delas. Há, no entanto, aquela que se sobressai, assim podemos identificar a finalidade principal do texto.

 



 

Concordância

Adjetivo com substantivo

Para efeito de concordância, as normas válidas para o adjetivo aplicam-se também ao pronome, artigo, numeral e particípio. O substantivo a que eles se referem pode às vezes dar lugar a um pronome.

1 – Fundamentos

a) O adjetivo concorda com o substantivo em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural): Prédio alto. / Casa branca. / Homens bons. / Mesas antigas. / Duas mulheres.

b) O adjetivo irá para o plural masculino quando pelo menos um dos substantivos for masculino: Homens e mulher bons. / Médico e enfermeiras dedicados. / Aí compreendidos estes e aquelas.

c) Mantém-se a concordância mesmo que haja preposição entre o adjetivo e o substantivo: Desgraçados dos homens. / Coitadas das mulheres.

2 – Adjetivo com dois ou mais substantivos

Esteja o adjetivo antes ou depois dos substantivos, você acertará sempre se fizer a concordância no plural: "A mão esquerda, entre cujos índi-
ce e polegar..." / Terno e gravata escuros./ Ótimos texto e conhecimentos./ Atentos o governo e as Forças Armadas. / Reajustados o salário mínimo e os aluguéis. / Convocados o Senado, a Câmara e o Supremo. / Mortos pai e filho no litoral.

Observações:

a) O adjetivo colocado antes de dois ou mais substantivos pode concordar com o substantivo mais próximo: Branca túnica e sandália. / "...notando o estrangeiro modo e uso." / Ótimo texto e conhecimentos./ Seu pai e filhos. / Suas filhas e mulher.

O adjetivo, no entanto, vai obrigatoriamente para o plural se os substantivos forem predicativos do objeto, nomes próprios, títulos ou formas de tratamento: Julgava perdidas a fé e a esperança (predicativo do objeto)./ Trazia espertos o desejo e as virtudes (pred. do obj.). / A Justiça declarou culpados o pai e a filha. / Os irmãos Caetano e Bethânia. / Os apóstolos Pedro e Paulo. / Os generais Costa e Silva e Médici. / Os srs. Silva e Cia.

b) Se o adjetivo vem depois de dois ou mais substantivos, pode também concordar com o mais próximo: Um terno e uma gravata escura. / Ternos e gravata escura. / Terno e gravatas escuras. / Elogiamos o seu esforço, empenho e dedicação extrema. Quando os substantivos são sinônimos ou formam gradação (como no último exemplo acima), há gramáticos que defendem a concordância – que, no entanto, não é obrigatória – com o mais próximo.

3 – Verbo de ligação

Com verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, etc.), o adjetivo vai para o plural, em qualquer caso, e segue as normas gerais de concordância: O depoimento e o laudo pericial eram conclusivos. / A loja e a residência estavam inundadas. / As casas e o prédio de apartamentos pareciam velhos. / Eram justos o preço fixado e a comissão. / Estavam liberados a testemunha e o réu.

Apenas se o verbo de ligação estiver antes dos substantivos, admite-se também a concordância com o mais próximo (no Estado, prefira o plural, de qualquer forma): Era justo o preço fixado e a comissão. / Estava liberada a testemunha e o réu.

4 – Um substantivo e dois ou mais adjetivos

a) Substantivo antes

Há três possibilidades: Os governos brasileiro e francês; o governo

brasileiro e o francês; o governo brasileiro e francês. / Os poderes temporal e espiritual; o poder temporal e o espiritual; o poder temporal e espiritual.

A primeira forma (Os governos brasileiro e francês, os poderes temporal e espiritual) é jornalisticamente a mais recomendável, embora a segunda (O governo brasileiro e o francês, o poder temporal e o espiritual) soe melhor em alguns casos. Convém, apenas, evitar a terceira (O governo brasileiro e francês, o poder temporal e espiritual), por induzir a duplo sentido.

b) Substantivo depois

Admitem-se quatro formas: A primeira e a segunda série; a primeira e segunda série; a primeira e a segunda séries; a primeira e segunda séries. / O quarto e o sétimo andar; o quarto e sétimo andar; o quarto e o sétimo andares; o quarto e sétimo andares.

As melhores: A primeira e a segunda série, a primeira e segunda séries./ O quarto e o sétimo andar, o quarto e sétimo andares.

5 – Adjetivos compostos

Só o último elemento é flexionado: estudos histórico-filosóficos, tecidos azul-claros, relações anglo-franco-brasileiras, partidos social-democratas, partidos democrata-cristãos, homens bem-intencionados, notícias extra-oficiais, países não-alinhados, política econômico-financeira, vida profissional-amorosa. Exceção. Flexionam-se os dois termos de surdo-mudo, seja a palavra adjetivo composto ou substantivo: Homens surdos-mudos, moça surda-muda, mulheres surdas-mudas, os surdos-mudos, a surda-muda, as surdas-mudas.

6 – Casos especiais

Veja cada um deles nos verbetes um e outro, nem um nem outro, próprio, junto, menos, possível (o mais, o menos, o melhor, o pior), anexo, cores, um dos que, incluso , etc.

Verbo

1 – Regra básica

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa: O prédio ruiu. / Ele chegou ontem. / Nós pedimos para sair. / Alugam-se apartamentos. / Os ministros anunciaram o novo pacote.

2 – Sujeito composto

Adote como norma: o sujeito composto leva o verbo para o plural, esteja o verbo antes ou depois do sujeito. Exemplos: Partiram lotados o trem e o ônibus. / O homem e o filho feriram-se no acidente. / Reportagem, crítica e comentário têm lugar num jornal ou revista.

Observação. O verbo pode ficar no singular (no Estado, apenas em textos especiais e declarações) nos seguintes casos:

a) Verbo antes do sujeito composto: Passará o céu e a terra. / "... se a tanto me ajudar engenho e arte." / Saiu João e os demais.

Exceção. Se os sujeitos forem todos nomes próprios ou se indicarem reflexibilidade, reciprocidade, o plural será obrigatório: Vieram Maria, Pedro e João. / Feriram-se o agressor e a vítima. / De ambos os lados, cresceram o rancor e o ódio.

b) O sujeito composto indica uma gradação, crescente ou decrescente: "Uma palavra, um gesto, um olhar bastava." / "O próprio interesse, a gratidão, o mais restrito dever fica impotente..."

c) O sujeito é formado por palavras sinônimas ou tomadas como um todo: "A vida e o tempo nunca pára."/ "Estes receios, este proceder meticuloso pode matar-nos.".

d) Se os dois sujeitos estiverem ligados pela preposição com ou por outras palavras e locuções que indiquem companhia, o verbo ficará no singular se o primeiro elemento prevalecer sobre o segundo. E nesse caso convém colocar o segundo entre vírgulas:

O rei, com a corte e toda a nobreza, participou da missa solene. Proceda da mesma forma nas frases em que o com é substituído por locuções de sentido equivalente ou aproximado: O presidente, ao lado dos ministros, deu início às solenidades. / O general, acompanhado do ajudante-de-ordens, passou as tropas em revista.

O plural justifica-se apenas nos casos (mais raros) em que ambos os elementos têm igual ênfase: A mãe com a filha foram salvas do incêndio.

3 – Pronomes pessoais

A primeira pessoa prevalece sobre a segunda e a terceira, a segunda prevalece sobre a terceira e o verbo fica no plural: Eu e tu chegamos cedo (eu + tu = nós). / Eu, tu e a tua irmã fomos aprovados (eu + tu + tua irmã, que equivale a ela, no caso). / Tu e ele viestes de carro (tu + ele = vós). / Tu e os Pires perdestes o trem (tu + eles = vós)./ Tu e teu pai saístes do edifício juntos (tu + ele = vós). / Ele e a mãe eram bem-vindos (ele + ela = eles). / Eu e as bicicletas nos chocamos (eu + elas = nós). / Tu e os carros já estais à vista (tu + eles = vós).

Observações:

a) Modernamente, admite-se o verbo na terceira pessoa do plural quando tu e vós se combinarem com ele, eles ou equivalentes (por causa da dificuldade no uso do tempo verbal correspondente a vós): Tu e os carros já estavam à vista. / Eles e vós já têm lugares marcados.

b) Se o verbo estiver antes dos pronomes, a concordância pode ser feita com o mais próximo (no Estado, porém, coloque o verbo no plural): Era ele e sua tia que chegavam. / Poderás tu e o motorista levar-me ao Centro?

4 – Sujeito constituído de orações ou infinitivos

O verbo fica no singular: Que ele entre e saia a toda hora não causa espanto. / Andar e nadar faz bem à saúde. / Comer, dormir e vadiar era só o que queria. / "Serem os homens uma coisa e parecerem outra é fácil."

Exceção. Verbo no plural se houver contraste entre os sujeitos ou se estiverem substantivados: O comer e o dormir engordam uma pessoa. / Nascer e morrer fazem parte da vida.

5 – Sujeitos resumidos por um pronome indefinido

O verbo fica no singular quando os sujeitos são resumidos pelos pronomes tudo, nada, nenhum, cada um, cada qual, outro, ninguém, alguém, isso, isto, aquilo: Casas, pontes, estradas, tudo se perdeu com a enchente. / Amigos, colegas, parentes, ninguém o alertou sobre os riscos da viagem. / Pai, mãe, irmã, alguém deve chamá-lo à realidade. / Médico, engenheiro, advogado, cada qual tem seu código de ética.

6 – Coletivo ou palavras que dêem essa idéia

a) Sem complemento – Concordância normal com o verbo: O povo saiu. / A gente chegou. / Os cardumes subiam o rio.

b) Com complemento – Faça a concordância do verbo com o sujeito, no singular, e não com o complemento, no plural: A maioria dos empregados chegou atrasada no dia da enchente. / A maior parte dos trabalhos figurava na exposição. / Grande número de pessoas aderiu à iniciativa./ Estava destruída parte dos afrescos. / Um sem-número de crianças fazia barulho. / Boa parte dos habitantes mora na periferia. / Um grupo de ladrões dominou os clientes do banco./ Uma porção de crianças esperava a distribuição dos alimentos. / Uma equipe de policiais prendeu os seqüestradores. / Um total de 20 técnicos participou da operação.

Observação. Aceita-se (no Estado, apenas em textos especiais ou declarações) a concordância com a idéia de plural expressa pelo complemento em casos como: A maioria das pessoas foram feridas. / Grande número de passageiros deixaram de pagar a passagem.

7 – Palavras no plural, mas com idéia de singular

O verbo fica no singular: Pêlos ainda tem acento. / Nós é um pronome. / Casas está no plural. / Frases é o sujeito da oração. / Lágrimas é coisa que ele não tem.

8 – Nomes próprios no plural

a) Sem artigo – Verbo no singular: Andradas fica em Minas. / Memórias Póstumas de Brás Cubas consagrou Machado de Assis / Divinas Palavras já foi representada em São Paulo (é uma peça).

b) Com artigo no plural – Verbo no plural, faça ou não o artigo parte do nome: As Memórias Póstumas de Brás Cubas lhe causaram profunda impressão. / Os Estados Unidos representam... / Os Andes constituem... / Os Alpes ficam... / Os Lusíadas imortalizaram Camões. / Os Sertões consagraram Euclides da Cunha. / Os Maias deram a Eça inegável prestígio.

Exceção. Com o verbo ser e predicativo no singular, o verbo pode ficar no singular: Os Lusíadas é a obra-prima de Camões. / Os Sertões é o nome da obra que imortalizou Euclides da Cunha.

9 – Nas indicações de preço, medida, quantidade, porção ou equivalente

Verbo no singular: Três quilômetros é muito. / Dois capítulos é pouco./ Mil reais é demais por esse artigo. / Cem dólares pode parecer exagerado. / Cem vagas representa muito nessa escola. / Dois terços de um meio é dois sextos. / Quatro anos de mandato é pouco, julga o presidente.

Exceção. Com dias e horas, a concordância é a normal: Eram 9 horas. / São 6 horas. / Hoje é dia 15 de agosto. / Hoje são 15 de agosto.

10 – Sujeito no singular e predicativo no plural

Com o verbo ser (e mais raramente parecer), ocorre a concordância por atração, isto é, se o sujeito estiver no singular e o predicativo no plural, o verbo concordará com o predicativo, e não com o sujeito: O que lhe peço são fatos concretos. / Tudo são flores./ Nada são flores. / Tudo parecem flores. / Isto são os ossos do ofício. / Isso eram manobras inconseqüentes./ Aquilo foram histórias. / Amor são venturas e sofrimento. / Sua maior alegria continuam sendo os filhos. / O grande prazer das crianças vinham sendo aqueles brinquedos. / O resto (ou o mais) são casos sem importância.

Observações:

a) Se o sujeito for pessoa ou nome de pessoa, a concordância se fará regularmente: Joana é as delícias da mãe. / O homem é cinzas. / O filho era as venturas do casal.

b) Se o sujeito for nome de coisa, poderá, para muitos gramáticos, ficar no singular: A comida era só verduras.

O verbo no plural, no entanto, tem o apoio da maioria dos estudiosos (A comida eram só verduras) e é a forma adotada pelo Estado.

11 – Predicativo é substantivo abstrato

O predicativo não concorda com o sujeito quando é substantivo abstrato: As espinhas ou acnes são um enigma para a medicina (e não são enigmas). / Para muitos, as cadernetas de poupança eram a melhor garantia para o futuro (e não eram as melhores garantias). / Estas providências foram a salvação das finanças da empresa.

12 – Pronome pessoal com predicativo

a) Se o pronome pessoal vem depois do verbo, o verbo concorda com ele: O autor do livro sou eu, mas o editor sois vós. / O responsável pelo erro somos nós (preferível: Os responsáveis...). / O chefe és tu. / Os herdeiros somos eu e teus irmãos.

b) Havendo dois pronomes pessoais, a concordância se faz com o primeiro: Eu não sou você. / Nós não somos você. / Tu não és eu. / Ele não é eu (ou tu).

13 – Pronome interrogativo com predicativo

Nas orações que comecem com pronome interrogativo, o verbo concorda com o substantivo ou pronome pessoal: Que são objetos diretos, Pedro? / Que somos nós? / Quem sois vós? / Quem és tu? / Quem teriam sido os autores do atentado? / Que são três dias?

14 – Concordância com a idéia

Há casos em que a concordância se faz com a coisa subentendida e não com o nome que a expressa: A Vozes foi premiada com o Jabuti (subentende-se a editora). / A Faria Lima vive congestionada (avenida). / O Joelma pegou fogo num 1º de fevereiro (edifício). / O Paraíba é sinuoso (rio). / São Paulo é a mais populosa (cidade). / São Paulo é o mais populoso (Estado)./ A Gustavo Barroso está avariada (fragata). / A Apollo foi à Lua (nave). / A Dersa será reformulada (empresa). / O Opala (carro), a Caravan (perua).

15 – Formas de tratamento

O verbo concorda com a pessoa que recebe o tratamento: Vossa Excelência está errado (homem), Vossa Excelência está errada (mulher). / Sua Santidade chegou atrasado (o papa)./ Vossa Alteza é magnânimo (rei), Vossa Alteza é magnânima (rainha).

16 – Nós no lugar de eu

Quando o pronome nós substitui eu (plural de modéstia), o verbo fica no singular: Estamos grato por tudo (eu estou). / Somos favorável à decisão (eu sou). É forma a evitar, porém.

17 – Nós subentendido

Quando a pessoa que fala se inclui num grupo, o verbo concorda com o pronome nós: Todos aprovamos a decisão (eu + eles, nós + eles). / Éramos seis na casa. / Os paulistas (nós, os paulistas) somos descendentes dos bandeirantes. / A causa teria mais força do que supomos os leigos.

18 – Verbos impessoais

Como não existe sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: Choveu muito em São Paulo este ano. / Ventava demais naquele morro. / Já houve ocasiões mais favoráveis que esta. / Fazia frio de madrugada. / Pode haver muitas pessoas no show.

l9 – Sujeito indeterminado

O verbo vai para a 3ª pessoa do plural: Pediram-me que a procurasse. / Estão guiando muito mal nas estradas paulistas. / Disseram-lhe que saísse.

Se a indeterminação do verbo for indicada pelo pronome se, usa-se a 3ª pessoa do singular: Cantou-se e tocou-se muito ali. / Ainda se vive mal em muitas regiões brasileiras. / Vive-se e morre-se de amor.

20 – Sujeito que representa a mesma pessoa ou coisa

O verbo fica no singular: Deus, o Criador, o Onipotente, paira sobre todas as coisas. / "Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca mais me esqueceu..." (M. de Assis) / O presidente da República e membro da ABL convidou...

Erros

Alguns erros de concordância vêm-se tornando muito comuns. Por isso,

esteja atento para que não apareçam no seu texto. Veja as situações em que a maior parte deles ocorre (todos os exemplos são reais):

1 – Verbo, complemento, aposto ou oração dependente colocados antes do sujeito: Serão realizados hoje os sorteios (e nunca "será realizado"). / Viu como era feita (e não "era feito") a aguardente. / Está marcada (e não "marcado") para o dia 22 uma grande manifestação. / Terão tempero caseiro os quitutes... (e não "terá")/ Os contratos trazem embutida (e não "embutido") uma correção. / Foi publicada (e não "publicado") no Diário Oficial uma relação... / Não deixam (em vez de "deixa") de causar estranheza certas situações... / Ficou constatada (e não "constatado") apenas uma forte torção... / Chegam (e não "chega") a ser irritantes (e não "irritante") os constantes erros... / Tem de ser levada (e não "levado") em conta a disposição... / Se prevalecerem (em vez de "prevalecer") as evidências... / São importantes (e não "é importante") esses pontos... / Errados, errados mesmo (e não "errado, errado mesmo") são os termos...

2 – Núcleo do sujeito distante do verbo: Os preparativos para a criação do novo bairro já estavam praticamente concluídos (e não "já estava"...). / As execuções determinadas por partidos clandestinos de esquerda, na década de 70, eram (e não "era") uma verdade incontestável. / Férias fora de hora levam (e não "leva") mães ao pânico. / As acusações ao presidente daquele sindicato de trabalhadores demonstravam (e nunca "demonstrava") a possibilidade...

3 – Núcleo do sujeito no singular acompanhado de uma expressão preposicionada no plural, que completa ou altera o seu sentido – o verbo fica no singular (não deixe que a falsa noção de plural influencie a concordância): Como essa diversidade de assuntos não agradava (e nunca "agradavam") aos leitores... / A produção dos especiais de música brasileira é de (e nunca "são de"...) / A fulminante ascensão do candidato nas pesquisas eleitorais mudou (e não "mudaram") o conceito... / O preço das passagens aéreas sobe (e não "sobem") hoje. / A publicação das fotos da modelo prejudicou (e não "prejudicaram") a sua reputação.

4 – O que exige o verbo no singular e no masculino: O que se ouvia eram frases indignadas (e nunca o que "se ouviam"...). / O que não é admitido é a internação... (e não o que não "é admitida"...).

5 – É que não varia em frases como as que se seguem (repare que está intercalada uma expressão preposicionada): É nesses movimentos que a plástica sobressai (e nunca "são" nesses movimentos que...). / É sobre esses aspectos que ele deve meditar (e não "são" sobre esses aspectos que...). / É dessas coisas que (em vez de "são" dessas coisas que...).

6 – Bastar, existir, faltar, restar e sobrar variam normalmente: Bastam alguns minutos. / Falou sobre as diferenças que existiam entre eles. / Existem muitas concepções equivocadas. / Faltam motivos que expliquem o crime. / Restavam poucas pessoas na sala. / Sobram idéias, mas faltam meios para pô-las em prática.

 



 

Resumo de Texto

O ato de resumir textos objetiva instrumentalizá-lo a fim de que você possa, ao ler, apreender aquilo que realmente é essencial.

Ao resumir o texto, você vai expor, em poucas palavras, o que o autor expressou de uma forma mais longa.

Assim, deve saber discernir do secundário e relacionar as idéias entre si, de uma forma sintética.

Aprendendo a resumir, você terá mais facilidade ao estudar as diferentes disciplinas, uma vez que saberá encontrar num texto as idéias mais relevantes.

Alguns passos devem ser observados para que o resultado final seja satisfatório:

- uma primeira leitura atenta é indispensável para que você perceba o assunto em questão;
- outras leituras devem ser feitas (tantas quantas forem necessárias para selecionar as idéias principais do texto); é importante anotar o que for mais relevante;
- todo texto possui palavras-chaves que encerram as idéias fundamentais; essas idéias devem ser grifadas para que possam servir de ponto de partida para o resumo;
- deve ser feito resumo de cada parágrafo; é importante fazer dois resumos: um do parágrafo e outro do próprio resumo para que as idéias sejam bem sintetizadas;
- durante todo o processo, a leitura atenta deve ser feita para verificar se está havendo coerência e seqüência lógica entre os parágrafos resumidos, para fazer os ajustes necessários;
- o resumo não é comentário crítico; você deve ater-se às idéias do autor, sem emitir sua opinião, por isso as idéias do resumo devem ser fiéis às expostas no texto original

 



 

O Examinador

 

Um erro comum cometido por muitos vestibulandos é esquecer que existe alguém que lerá sua redação. Muitas vezes ao escrever a redação o vestibulando tem em mente o que quer escrever, mas nem sempre passa suas idéias para o papel de modo que o examinador possa compreender.

 

Além de você, a única pessoa que lerá sua redação é examinador, é para ele que sua redação é escrita. Nesta aula vamos estudar alguns pontos importantes para escrever uma redação objetiva que seja compreendida pelo examinador.

 

Evite o uso de 1ª pessoa (eu, nós, nós, nosso...)

 

É recomendável que não se use a primeira pessoa, tanto no singular como no plural, no desenvolvimento de uma redação para o vestibular (“eu acho que, eu penso que”, “em minha opinião”, “nós acreditamos que”...). A linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambigüidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração do que se quer expôr. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal.

 

Dê razão para apoiar afirmações e convicções

 

"Todo o mundo deveria ser tecnologicamente alfabetizado". Por quê? Quando você expressa um ponto de vista, é esperado que você possa explicá-lo e defendê-lo. Tome cuidado com suas afirmações as quais é cabível a pergunta: “Por que?”.

 

Suponha que lendo um texto sobre o exame vestibular você encontre essa frase: “Sem duvida o processo seletivo feito por universidades americanas não seria justo se aplicado no Brasil”. Esta é uma afirmação que necessita de uma resposta.

 

Quando se escreve que o processo seletivo feito por universidades americanas não seria justo se aplicado no Brasil, tem que se levar em conta que o leitor pode não saber como funciona o processo seletivo nos Estados Unidos, bem como não ser tão esclarecido sobre o processo seletivo brasileiro, ficando sem saber o porquê de sua inadequação ao sistema brasileiro.

 

O texto seria mais bem escrito dessa maneira:

 

O processo seletivo feito por universidades americanas não seria justo se aplicado no Brasil, pois nos EUA esse processo é feito tendo como base as notas que os alunos obtiveram no decorrer do ensino médio, uma vez que todas as escolas possuem um padrão de ensino nivelado. Já no Brasil, o método de ensino de cada escola é variado, e um aluno regular de um colégio exigente, não pode ter suas notas comparadas com as de um aluno vindo de uma escola fraca”.

 

Mas lembre-se que muitas frases não precisam de explicação, pois você poderia tornar seu texto confuso e alongado desnecessariamente.

 

Exemplo:

 

“O voto é uma importante ferramenta para o povo mudar seu país. Devemos sempre escolher candidatos honestos, e que se preocupem com a população, candidatos que não roubem e tenham interesse no bem comum”.

 

Este é texto que poderia ser resumido facilmente na primeira frase: “O voto é uma importante ferramenta para o povo mudar seu país”. É inútil ressaltar que devemos escolher políticos honestos, mesmo por que, a honestidade não é uma virtude, mas sim uma obrigação de cada um, bem como a preocupação com o bem comum. Excluindo-se a primeira frase, todo o resto do texto é desnecessário.

 

Assuma que você tem um ponto de vista e o examinador pode não concordar com você. 

 

Não tente desesperadamente convencer o examinador que o seu ponto de vista é o correto. Provavelmente o examinador já tem sua própria opinião formada a respeito do tema e não vai começar a acreditar em gnomos só por que você quis convencê-lo que eles existem.

 

Seu objetivo não é convencer ninguém de coisa alguma, mas sim, apenas fazer uma boa redação sobre o tema escolhido, nada mais. Escrever uma redação, é uma tarefa simples, mas geralmente nós a complicamos, pois acreditamos que o objetivo daquela redação é convencer todas pessoas do mundo a concordarem com nossa posição.

 

Lembre-se o que já foi dito em outras aulas. O examinador não estará corrigindo seu ponto de vista, ele também não tem interesse que você mude de opinião. Ele estará examinado sua capacidade em escrever bons textos, compreensíveis e objetivos.

 

É evidente que por mais impessoal que sua redação possa parecer, ela foi escrita por você, e o ponto de vista refletido nela não é o do examinador, da sua professora de redação ou dos seus pais, mas o seu. Portanto, não tente ser impessoal demais, achando que assim irá escrever um bom texto. Você é diferente dos milhares de estudantes que estão fazendo a mesma redação, portanto não tenha medo de passar sua opinião.

 

Até a próxima semana






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